Uma das coisas que mais me preocupou no episódio com a Gol - relatado no post “Justiça: eu quero acreditar!” – foi como o Pedro iria lidar com o fato. Apesar dele ser uma pessoa bem resolvida, a dimensão emocional do que houve não é fácil de ser processada. Até mesmo uma mulher como eu – madura e vivida – estou tendo dificuldades com isso, imeginem um jovem como o Pedro! Confesso que cheguei a pensar que ele poderia vir a questionar alguns valores que ensinamos a ele a vida inteira. Porém, mais uma vez, o Pedro nos surpreende com uma lição de “volta por cima”! Assim como o apóstolo que inspirou o nome dele, o Pedro é “pedra” mesmo! Leiam o post “Amigo é amigo…FDP é FDP!” que ele publicou no blog dele.
DMD: descoberta droga promissora
19 Maio, 2009Cientistas na Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, descobriram que uma substância usada em medicamentos contra a calvície pode ser eficaz para o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD). Leiam a explicação da Dra. Mayana Zatz sobre a experiência deles e seus possíveis benefícios publicada na revista Veja On-line desta semana.
Matéria no Campo Grande News
18 Maio, 2009O site de notícias Campo Grande News acaba de publicar uma matéria sobre o episódio ocorrido conosco, no aeroporto de Congonhas, relatado no post “Justiça: eu quero acreditar!”. Até o presente, este foi o único veículo de imprensa que nos procurou para falar sobre o fato. O acesso para o jornal eletrônico pode ser feito acima, neste post. Leiam e divulguem!
Um poema pro dia nascer feliz
17 Maio, 2009
Olha só, pessoal, como até das maiores adversidades podem sair coisas tão boas!….
A Vânia é psicóloga da ABRELA – Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica - de São Paulo. E também é poetisa.
Vejam que lindo comentário, em forma de poema, ela deixou no post “Justiça: eu quero acreditar!”:
Ah! Queria Tanto
Por Vania de Castro
Ah!! Queria tanto, tanto
que nos quatro cantos
houvesse o canto do bem-querer
sem exaltação
apenas bem-querer
o sentimento permanente de solidariedade
existisse no fundo do coração
desde a mais tenra idade
e sem vaidade
pudéssemos usufruir
o direito de ir e vir
com segurança, abrigo, harmonia e fantasia
plena comunhão com o outro
não importa se daqui ou acolá
importa irradiar humanidade
Ah! queria tanto, tanto
que as pessoas carregassem a cor do arco-íris
tatuada no corpo
ou as notas musicais em seus corações
que o canto dos pássaros penetrasse na corrente sanguínea
e antes de qualquer ato,
o tato
surgisse em primeiro lugar
o verde do nosso Brasil Brasileiro
ficasse registrado profundo no mundo
no meu, seu, nosso mundo
perpetrado de Raimundos
Marias, Aparecidas, Joãos, Josés, Pedros
que querem tanto quanto eu e você
viver com dignidade, alegria, respeito e justiça
Justiça: eu quero acreditar!
13 Maio, 2009
A ADONE foi criada a partir de uma postura, que sempre adotei, de nunca aceitar passivamente o primeiro “sinto muito” que eu ouvia. Esta postura, por sua vez, é produto de minha crença em alguns valores, como por exemplo, a busca por nossos direitos.
Assim, no início, criei a ADONE com o objetivo principal de dividir esta experiência com outras famílias e contribuir para que todos os Pedros do Brasil desfrutassem das mesmas oportunidades que o meu. Mas logo descobri que esse processo era uma alegre via de mão dupla, onde além de ensinarmos e aprendermos uns com os outros, nos fortalecíamos e agregávamos valores mútuos, como a empatia e a solidariedade.
Ontem - dia 12/05/2009 - entretanto, minhas crenças foram desafiadas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por onde passamos a cada seis meses desde 1993, para o tratamento médico do Pedro no Centro de Estudos do Genoma Humano.
Era o nosso retorno para casa. Como de costume, chegamos ao aeroporto com antecedência de mais de três horas e fizemos o chek-in no balcão da GOL normalmente, sendo sua cadeira de rodas motorizada despachada mediante a apresentação do laudo técnico do fabricante das baterias da mesma, como de costume. No horário marcado, fomos embarcados na aeronave com os demais passageiros e a cadeira levada para ser colocada no porão. Foram feitas as apresentações de segurança rotineiras dos vôos e - para nossa surpresa – antes da decolagem, um funcionário da GOL entrou na aeronave e anunciou que não poderíamos embarcar as baterias da cadeira de rodas, que eram consideradas cargas perigosas. Argumentamos que estávamos habituados a efetuar aquela viagem há vários anos, inclusive diversas vezes com a GOL, sendo que mesmo no dia anterior havíamos chegado a São Paulo sem problemas. Mostramos novamente o laudo técnico do equipamento. Explicamos que, sem as baterias, a movimentação do Pedro ficaria prejudicada, uma vez que sua patologia provoca fraqueza muscular que o impede de utilizar equipamento manual. Tudo em vão! Vários outros funcionários juntaram-se ao primeiro, nos acusando de estar colocando em risco a segurança dos demais passageiros, de estar ameaçando o cancelamento do vôo pela proximidade da hora de fechamento do aeroporto, e enfim, nos submetendo a constrangimento e humilhação pública na frente dos demais passageiros, que acabaram por juntar-se a eles nas acusações contra nós!
Não há palavras para descrever nossos sentimentos. De repente, nos vimos numa situação em que fomos literalmente transformados em vilões. Uma espécie de ameaça pública. Fomos condenados sem julgamento e obrigados a deixar para trás as baterias que – segundo eles - seriam transportadas pela TAM no dia seguinte!
Ainda apelamos para o bom senso deles, questionando que se a TAM iria transportar, porque não a GOL? Ouvimos da funcionária a absurda explicação de que a GOL possui uma regra que impede o transporte do equipamento.
Durante todo esse suplício – que durou quase uma hora – tivemos que olhar, impotentes, para o rosto assustado de meu filho sendo submetido a tão cruel injustiça sem que nada pudéssemos fazer.
Pouco antes do avião aterrisar em Campo Grande, ouvi dele as seguintes palavras: “Mãe, se a médica de São Paulo não puder vir a Campo Grande me consultar, eu não quero mais retornar para o tratamento”. Naquele momento, tudo que ensinei a ele, tudo em que eu acredito e que divido diariamente com as outras famílias da ADONE, parecia ser arrancado de dentro de mim. E, ali descobri que a alma dói. Dói fisicamente, mesmo!
Foi uma noite insone e de muita reflexão, de onde extrai as seguintes questões que aqui registro:
1- Por que após tantas viagens – inclusive pela própria GOL, cujo último transporte havia ocorrido no dia anterior - só ontem as baterias não poderiam ser transportadas?
2- Por que a recusa não foi apresentada no chek-in - realizado com mais de três horas de antecedência - mas somente após o embarque, o início do procedimento de decolagem e diante de todos os demais passageiros?
3- Por que, diante de nossa insistência e argumentos, não foi acionado um funcionário capacitado para julgar o mérito da questão ?
4- Por que a garantia de que a TAM transportaria as baterias no dia seguinte? Não estão todas as companhias aéreas sujeitas às mesmas leis?
E, finalmente, a pergunta que não quer calar:
5- Pode uma companhia aérea, concessionária de serviço ao público, criar uma regra ou lei que contraponha-se aos sagrados direitos de ir e vir e de manutenção da saúde garantidos na Constituição Federal e na Declaração Universal do Direitos Humanos?!
Tomamos a decisão de acionar judicialmente a GOL, por constrangimento e humilhação. Para isso, estarei contatando meus advogados.
Não sei se a Justiça nos dará ganho de causa e, mesmo se der, não sei se será o suficiente para curar as feridas que este episódio deixará em nossas almas. Mas o prejuízo maior seria, com certeza, perder a fé nos valores que estruturaram nossas vidas até aqui.
EU QUERO ACREDITAR! Eu preciso continuar a acreditar que a justiça existe e é uma conquista daqueles que não desistem nunca!
Atualização 14/05/2009
Às 14:45 h. de ontem – dia 13/05/2009 - recebi um telefonema da GOL avisando que as baterias acabavam de chegar a Campo Grande e solicitando o endereço para entrega. Perguntei se poderia receber um documento de comprovação de remessa do equipamento pela TAM que – segundo a GOL me informara em São Paulo - seria a companhia que efetuaria o transporte de volta. Para minha surpresa, a funcionária me explicou que o transporte foi feito pela própria GOL, pois – na manhã seguinte ao episódio – a equipe de segurança da empresa julgou por bem aceitar o laudo técnico que eu havia apresentado.
A seguir, a servidora transferiu a ligação para uma outra – hierarquicamente superior – que passou a desculpar-se em nome da empresa pelo ocorrido, colocando-se à disposição para, numa outra oportunidade, ser contatada anteriormente de forma a garantir que o incidente não se repita. Alguns minutos depois, um motorista sem uniforme, num carro sem identificação chegou à nossa residência e entregou as baterias sem qualquer documento!
Já hoje pela manhã - dia 14/05/2009 – recebi uma ligação da Casa da Saúde, órgão do Governo do Estado que fornece as passagens para o tratamento do Pedro em São Paulo, buscando informações sobre o “problema que havia acontecido com a bagagem do Pedro”, uma vez que a Condor Turismo – empresa de turismo que serve ao Governo do Estado – fora contatada pela GOL, que desejava esclarecer o episódio.
Diante disso, acrescento mais algumas questões às anteriores:
6- Se a GOL possui uma equipe de segurança com autoridade para deliberar sobre questões pertinentes, por que o responsável não foi acionado na noite do episódio, conforme insistíamos em solicitar na ocasião?
7- E quanto à tal regra ou lei da GOL invocada pelos funcionários que criaram a situação – inclusive pelo próprio comandante da aeronave – que citou-a na justificativa que fez pelo atraso aos outros passageiros durante o vôo? Bastou um parecer da equipe de segurança para que fosse revogada?
8- Por que, de repente, a GOL passou a mostrar-se tão preocupada em desculpar-se e justificar-se?
Após a divulgação deste texto, já recebemos inúmeras mensagens de apoio e indignação solidária, as quais agradecemos de coração, pois estão sendo alento para nossos corações.
Atualização 16/05/2009
Numa demonstração do quanto a internet pode ser um veículo eficiente, dentre as inúmeras mensagens que temos recebido, uma, do Leonardo, foi de imensa ajuda no sentido de municiar a ação que pretendemos mover contra a GOL. Explico:
O Leonardo enviou o link da Resolução ANAC n. 009, de 5 de junho de 2007 que dispõe sobre o acesso ao transporte aéreo de passageiros que necessitam de assistência especial.
Nesse instrumento jurídico há vários artigos que proíbem a discriminação e o impedimento de acesso de portadores de deficiência e seus suportes de vida ou locomoção em aeronaves, além de um artigo específico que faz referência a cadeiras de rodas motorizadas movidas a baterias secas (ou seja, com tecnologia VRLA), como especifica o laudo técnico que apresentamos à GOL.
Mais ainda, há um artigo que recomenda ao usuário apresentar com antecedência mínima de 72 h. laudos técnico e médico que descreva a necessidade do uso e transporte do equipamento pelo paciente.
Acontece que possuímos documentação comprovatória de que protocolamos ofícios com todos estes documentos junto à ANAC e à GOL, com três meses de antecedência!
Ainda nesta mesma legislação, no Artigo 35, encontramos referência a uma outra – o Doc. 9284 AN/905 – que contém as Instruções Técnicas para o Transporte sem Risco de Mercadorias Perigosas por Via Aérea.
Na página 35 deste último documento, a alínea “j” do subitem 12.1, do item 12 normatiza claramente o transporte de ‘cadeiras de rodas ou outra ajuda motriz, equipadas com baterias antiderramáveis‘.
Não sou advogada e passarei todas essas novas informações para meus advogados. Mas, mesmo sendo leiga, não vejo como a GOL poderia justificar o ocorrido frente a tantos documentos legais que apontam para o absurdo dos fatos.
Desejo sinceramente que jamais nada igual ou semelhante aconteça a ninguém! Mas caso aconteça, espero que as informações contidas nesse registro possam ajudar outras vítimas.
Mais uma vez, muitíssimo obrigada a todos que veem nos enviando mensagens de apoio e incentivo!
Escrito por Rosana
Escrito por Rosana
Escrito por Rosana 