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Caso de desrespeito

30 dezembro, 2010

Pois é, pessoal. Mais uma vez vivenciamos uma experiência de desrespeito ao direito de ir e vir.

Mais uma vez adotamos a postura de levar o fato ao conhecimento das autoridades competentes, como forma de despertar a atenção para o descumprimento das leis e, quem sabe, aos poucos, ir educando comportamentos e posturas.

Transcrevemos abaixo o ofício-denúncia, que fala por si só.

Campo Grande, 30 de dezembro de 2010.

DE: Rosana Puga de Moraes Martinez e Renê Saueia Martinez – pais e cidadãos.

PARA: Sr. Rudel Trindade Junior – Diretor-Presidente da AGETRAN
(agetran@agetran.capital.ms.gov.br)


ASSUNTO: Denúncia.

C/C para Dr. Nelson Trad Filho – Prefeito Municipal de Campo Grande
(gapre@capital.ms.gov.br)

Senhor Diretor,

Nosso filho Pedro de Moraes Martinez, jornalista, de 23 anos, é portador de
Distrofia Muscular de Duchenne, doença que provoca fraqueza muscular
generalizada e que o torna usuário de cadeira de rodas motorizada.

Apesar da gravidade de sua patologia, com o apoio de amigos e familiares, Pedro procura levar uma vida o mais próximo possível do normal para um jovem de sua idade, inclusive no quesito lazer.

Seduzido pela propaganda sobre a Cidade do Natal, interessou-se em conhecer o espaço.

Assim, ontem, dia 29 de dezembro de 2010 (quarta-feira) seguiu para lá
acompanhado do irmão e das primas.

Chegando ao local, buscaram a vaga de estacionamento reservada para pessoas com deficiência e verificaram que, naquele exato momento, ela estava sendo ocupada por uma família com algumas crianças, NÃO CONSTANDO NO GRUPO NENHUMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA.


Avistando um agente uniformizado, Lucas, o motorista do veículo, irmão do
Pedro, solicitou que ele informasse aos ocupantes que buscassem outro lugar, já que havia uma pessoa com deficiência necessitando daquela vaga.
O funcionário, porém, disse que não poderia fazê-lo.

Lucas pediu, então, a presença de um superior dele que pudesse resolver a
questão. Mas ouviu do funcionário, que identificou-se como AGENTE DE
TRÂNSITO JEOVÁ VITOR, que o encarregado era ele próprio e que não poderia solicitar a um outro cidadão que desocupasse a vaga.

Foi argumentado que a vaga destinava-se a pessoas com deficiência, o que não era o caso do grupo que acabara de ocupá-la, mas de nada adiantou, pois, o servidor, irredutível, insistiu que nada poderia fazer, como se o que estava sendo solicitado fosse um favor, e não um direito garantido por lei!

Diante disso, nossos filhos e sobrinhas voltaram para casa, frustrados, sem
exercer seus direitos de cidadãos de visitar um espaço público para o qual
também contribuíram com seus impostos, como qualquer outro cidadão.
Não foi a primeira vez que Pedro passou por isso e, infelizmente, parece que não será a última.

Gostaríamos de lembrar que acessibilidade é um conjunto de facilidades. De nada adianta construir rampas, disponibilizar sanitários especiais e vagas de
estacionamento se o acesso não for garantido pela efetiva fiscalização do uso da vaga que possibilita o acesso aos demais intens.

Neste caso específico, a “fiscalização” aparentemente estava lá, mas não foi
minimamente treinada para tal.

Cumprido o propósito de levar este lamentável fato ao conhecimento da
AGETRAN, gostaríamos de solicitar ao Senhor Diretor-Presidente, como
cidadãos, atenção e providências por parte do Poder Público para que fatos como esse não se repitam; como pais, pedimos um exercício simples de empatia no sentido de imaginar o efeito do ocorrido para alguém numa condição humana difícil, bem como para seus familiares e amigos; todos cidadãos.

Colocando-nos ao dispor para eventuais esclarecimentos, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,


Renê Saueia Martinez                                      Rosana Puga de Moraes Martinez

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From → Geral

2 Comentários
  1. Joaquim Basso permalink

    Absurdo! Acho que vocês deviam levar à imprensa (campo grande news, midiamax etc.). Isso é caso para o Ministério Público. A conduta do agente foi deplorável e merece ser punido disciplinarmente. Muito grave.

  2. Robison permalink

    Esses fatos são um absurdo.
    Penso que o agente fiscalizador agiu de má vontade, caso alguém argumente que este estava ‘despreparado’, não deveria estar no cargo que ocupa.
    Deve haver uma punição para que tais discumprimentos da lei sejam inibidos futuramente.

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