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Uma nova história, um velho problema

1 fevereiro, 2012

Uma reportagem exibida hoje, no Bom Dia MS, mostra o caso de uma menina, portadora de Distonia Muscular, cuja mãe, única cuidadora carente (que já perdeu uma outra filha adolescente com a mesma doença), vem enfrentando o já conhecido “calvário” para conseguir medicação e tratamento para esta filha.

Mais uma vez, ouvimos as mesmas dificuldades: burocracia, falta de centro de referencia,  desconhecimento por parte dos profissionais sobre a doença, falta de equipe multidisciplinar para acompanhamento integral as demandas do pacinete, etc.

Durante as falas dos participantes da matéria, destacou-se um problema recorrente e grave: a incapacidade dos médicos dos centros de saúde na elaboração dos laudos exigidos para a concessão dos benefícios.

Assim, em seguida a exibição da reportagem, assistimos a duas entrevistas: a primeira, gravada, de um promotor da defensoria pública que declara ser a demanda mensal de ações judiciais para custeio de tratamentos de aproximadamente 25/mes; a segunda, ao vivo, com o gestor público – secretário-adjunto de saúde – que, questionado, entre outras coisas, sobre o problema dos laudos, declarou que “é muito fácil” conseguir o laudo, bastando para isso dirigir-se a um posto de saúde.

Há aqui, no mínimo, algumas contradições: se é tão fácil como o gestor público afirmou no programa e se qualquer médico dos centros de saúde está capacitado para preencher o laudo de forma adequada, por que, então, a instancia pública que o recebe considera esse mesmo laudo inadequado para a concessão dos benefício, gerando a demanda de tantas ações judiciais conforme declaração do promotor?….

Como pode um médico de posto de sáude, que muitas vezes jamais atendeu aquele paciente, diagnosticar sua patologia, verificar o grau de comprometimento e as necessidades terapeuticas, sem infra-estrutura de exames necessários, muitas vezes complexos?….

Como se pode esperar que o próprio paciente, ou a família, muitas vezes humilde e/ou com pouca informação, possam munir o médico do posto de saúde de informações detalhadas sobre o que precisa constar no laudo?…..

E, finalmente, sendo o paciente portador de uma patologia incapacitante, que compromete suas funções e requer cuidador diuturno para as tarefas cotidianas mais simples, como pode ele próprio ou seu cuidador – que já abandonou sua atividade profissional para não deixá-lo sozinho – andar pra lá e pra cá, a toda hora, para vencer todas as exigencias e burocracias?…..

Por conta da exposição pública, acredito que, para o caso específico dessa menina, em breve será possível assistir outra reportagem com “o problema solucionado”. Mas e os inúmeros outros casos que não chegam ao noticiário?…. Possui o poder público, ao menos, um cadastro de todos os portadores de doenças raras no Estado ou no Município?…. Há algum Centro de Referencia local que atenda a todas as demandas de todas as doenças raras?…. O que o programa de Tratamento Fora do Domicílio-TFD – citado pelo gestor público  – oferece, além de passagens de ida e volta para paciente e um acompanhante e uma diária de aproximadamente R$ 30,00/dia?…. E possível com esse valor manter-se para tratamento em Centro de Referencia em outro Estado?….

Posto isso, fica a grande e eterna questão: até quando?…..

 

 

 

 

 

 

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One Comment
  1. Mayara dos santos permalink

    Preciso saber a incidencia de pacientes com doença neuromuscular e o tipo de DNM, aqui em Campo Grande. É uma pesquisa de campo que preciso fazer.
    Desde de já agradeço.

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