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Ei, PSIU! Política é com você, sim!

19 julho, 2012

Este blog é um espaço de informação e troca de experiências. Por isso, a maioria dos posts está relacionada a assuntos de interesse de portadores de doenças neuromusculares, seus familiares e profissionais de áreas afins.

Entretanto, como muitas de nossas demandas estão inseridas num contexto político e, face ao início da campanha eleitoral, o momento é oportuno, registro aqui um texto de minha autoria, uma reflexão sobre este importante tema que diz respeito a todos nós.

Temos visto inúmeros apelos nas redes sociais do tipo “não postem propaganda política”, “não sujem o Facebook (ou o Twitter) com banners de candidatos”, ou ainda “vote nulo”. E a seguir lêem-se comentários como, “política não é comigo”, “odeio política”, e por aí vai.

Será que sabemos, mesmo, do que não gostamos?

Acontece que, se você come, usa roupas e outros bens de consumo, trabalha, estuda, faz uso de meios de transporte particular ou coletivo, fica doente, relaciona-se socialmente com outras pessoas de alguma forma, enfim… se você vive e morre, você faz parte da política, sim!

A origem da palavra “política” é grega: politika, vinda de polis.
Polis é a Cidade, entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos (politikos), isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais, portadores de dois direitos inquestionáveis, a isonomia (igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a Cidade deve ou não deve realizar).

Que não nos faltam motivos para indignação com a maioria de nossos representantes nos Poderes Executivo e Legislativo – que comumente chamamos “Políticos” – é inegável!

Mas nunca é demais lembrar que, a despeito da qualidade questionável e das intenções duvidosas da maioria dos candidatos a nossos representantes politikos, podemos escolher! Coisa que até bem pouco tempo não nos era permitido, como bem lembrou uma exposição nos corredores da Câmara Municipal de Campo Grande sobre os anos da Ditadura no Brasil.

Muitos de nós ainda serão capazes de lembrar de algum vizinho, amigo ou conhecido que foi preso ou torturado por muito menos do que escrever, ler ou manifestar uma reflexão como esta. Muitos brasileiros – pais, mães, trabalhadores – iguais a nós, deram suas vidas para que resgatássemos nosso direito de apenas escolher.

Votar em branco ou anular voto é abrir mão desse direito.

O mínimo que devemos a esses heróis – alguns conhecidos; muitos anônimos – é superar nossa descrença e indignação e buscar fazer a melhor escolha possível. E, para isso, é preciso informação.

Não se trata de defender a poluição eleitoreira. Muito menos de perder tempo com cabos eleitorais pagos, que pedem votos para este ou aquele candidato apenas para obter alguma vantagem pessoal.

Trata-se de conhecer currículos e, principalmente, checar os feitos efetivos daqueles que se apresentam para nos representar. Para isso, vale consultar arquivos de mídia, participar de reuniões promovidas por pessoas nas quais confiamos, assistir horário político. Ter em mãos um caderninho e anotar nomes, propostas, para mais tarde, caso o candidato se eleja – com ou sem nosso voto – podermos bater na porta do gabinete dele (sim!…temos esse direito!) e cobrar. Trata-se, enfim, de exercer nosso – mais que direito – dever de fazer politika!

Respondendo à pergunta no início do texto, o que não gostamos é de politicagem e falso partidarismo, que nos são diariamente e maçiçamente enfiados goela abaixo pelos mais diversos meios e segmentos. Ao ponto de abalarem nossa fé na possibilidade de protagonismo, de mudança e de melhoria.

Alguns ainda poderão argumentar que os maus políticos continuarão a ser eleitos pela grande maioria dos menos preparados intelectualmente. Sim, é verdade que ainda vivemos num país onde as desigualdades na educação e acesso a informação são gritantes e – pior! – determinantes nos resultados das urnas. Mas – por isso mesmo! – se fazemos parte dos privilegiados capazes de ler e entender este texto (em oposição ao enorme contingente de analfabetos funcionais), não podemos nos omitir!

Cabe a nós garimparmos os candidatos com mais credibilidade (estamos falando de pessoas!), com mais realizações, os temas e propostas mais abrangentes e prementes para nossas comunidades mais próximas (nossa área de atuação, nossas escolas, nossos hospitais, nossos bairros, nossa cidade!) e compartilhar essas informações, oferecer opções aos nossos familiares, amigos, conhecidos, aqueles que fazem parte de nossa rede de contatos.

Só assim seremos capazes de, pouco a pouco, através da multiplicação e disseminação de educação politika, vencer a democracia capenga que se alimenta da ignorância e da desigualdade.

Só assim estaremos legitimando nosso direito de nos sentirmos aviltados com as manchetes políticas na mídia, nosso direito de reclamar.

Não basta, portanto, colar adesivo nos carros, andar com bottons na lapela, postar banners ou impaciências no Facebook. É preciso se envolver, se posicionar, participar, escolher e fazer escolher!

É preciso politikar!

 

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From → Geral

One Comment
  1. Existem algumas ferramentas web que ajudam a recordar o passado e as propostas dos candidados: http://www.eulembro.com.br/

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