Pular para o conteúdo

Novo editor de genoma ‘prime’ pode superar CRISPR

O CRISPR, uma ferramenta de edição de genoma extraordinariamente poderosa inventada em 2012, ainda pode ser desajeitada. Às vezes, muda os genes que não deveria e edita cortando as duas hélices do DNA, deixando a célula para limpar a bagunça – deficiências que limitam seu uso na pesquisa básica e na agricultura e apresentam riscos à segurança na medicina. Mas um novo participante na corrida para refinar o CRISPR promete contornar algumas de suas maiores falhas. “É um grande passo na direção certa”, diz o químico George Church, pioneiro do CRISPR na Universidade de Harvard, sobre o trabalho , que aparece hoje online na Nature .

Esse novo CRISPR, apelidado de “edição principal”, poderia possibilitar a inserção ou exclusão de seqüências específicas nos alvos do genoma com menos danos colaterais. “Os editores principais oferecem mais flexibilidade de direcionamento e maior precisão de edição”, diz David Liu, químico do Broad Institute em Cambridge, Massachusetts, cujo laboratório liderou o novo estudo e inventou anteriormente um refinamento popular do CRISPR chamado edição de base.

Liu, seu pós-doutorado Andrew Anzalone, e colegas de trabalho testaram variações de seus editores principais em várias células humanas e de ratos, realizando mais de 175 edições diferentes. Como prova de princípio, eles criaram e corrigiram as mutações que causam anemia falciforme e doença de Tay-Sachs, aberrações de DNA que sistemas anteriores de edição de genoma não conseguiam consertar ou apenas ineficientemente. As edições ocorreram em uma alta porcentagem de células e causaram relativamente poucas alterações fora do alvo. Em seu artigo, a equipe afirma que a tecnologia “em princípio pode corrigir cerca de 89% das variantes genéticas humanas patogênicas conhecidas”.

Mas os intervalos duplos são “vandalismo do genoma”, diz Church. À medida que a célula tenta reparar a interrupção, ela introduz inserções e exclusões à vontade, criando às vezes mutações indesejadas – e até perigosas.

O trabalho manual anterior de Liu, edição de base, não corta o DNA de fita dupla, mas usa o aparelho de direcionamento CRISPR para transportar uma enzima adicional para uma sequência desejada, onde converte um único nucleotídeo em outro. Muitas características e doenças genéticas são causadas por uma única mudança de nucleotídeo, portanto, a edição de base oferece uma alternativa poderosa para biotecnologia e medicina. Mas o método tem limitações e, também, muitas vezes introduz mutações fora do alvo.

A edição principal evita as deficiências de ambas as técnicas, modificando fortemente a proteína Cas9 e o RNA guia. O Cas9 alterado apenas “corta” um único fio da dupla hélice, em vez de cortar os dois. O novo guia, chamado pegRNA, contém um modelo de RNA para uma nova sequência de DNA, a ser adicionada ao genoma no local de destino. Isso requer uma segunda proteína, ligada ao Cas9: uma enzima transcriptase reversa, que pode formar uma nova fita de DNA a partir do modelo de RNA e inseri-la no local cortado.

Liu, que já formou uma empresa em torno da nova tecnologia, a Prime Medicine, salienta que, para ganhar um lugar no kit de ferramentas de edição, ele terá que ser robusto e útil em muitos laboratórios. Entregar a grande construção de RNA e enzimas nas células vivas também será difícil, e ninguém mostrou ainda que ele pode funcionar em um modelo animal.

Fyodor Urnov, diretor científico do Innovative Genomics Institute em Berkeley, Califórnia, revisou o artigo da Nature e diz que ele trouxe “um daqueles ‘yay, ciência!’ momentos ”. A edição inicial“ pode se tornar a maneira pela qual as mutações causadoras de doenças são reparadas ”, diz ele. Mas, ele acrescenta, é muito cedo para ter certeza. A técnica “apareceu apenas este ano”.

P.S.: Para saber mais sobre CRISPR, até para questionar a afirmação de que a técnica “só tem um ano”, sugerimos que assistam a Série Documental da Netflix, “Seleção Artificial” (Unnatural Select), de apenas 4 episódios, que trata da Edição CRISPR e suas aplicações.

ADONE capacita profissionais de educação e saúde

A ADONE MS foi convidada a participar de duas importantes capacitações.

No período de 2 a 10 de setembro aconteceu a primeira fase da Formação de Professores da Rede Municipal de Ensino, realizada pela Secretaria Municipal de Educação-SEMED, onde estivemos apresentando o projeto, falando sobre doenças raras, sobre a importância do diagnóstico precoce e explicando como os profissionais de educação podem contribuir através de sua vivência com os alunos, observando os primeiros sinais e alertando a família.

Esses espaços foram conquistados a partir do Projeto Cada Passo Importa, que através do personagem Edu, da Turma da Monica, está levando informação sobre doenças raras e fomentando o diagnóstico precoce.

Convidamos outras entidades, profissionais e pacientes para também levarem seus depoimentos e enriquecer as explanações – sempre acompanhada da distribuição dos gibis – que foram recebidas com interesse pelos participantes.

Como resultado desta oportunidade, temos recebido devolutiva dos professores das atividades desenvolvidas com as revistinhas. São fotos, cartinhas e desenhos de alunos sensibilizados e conscientizados para receberem todos os coleguinhas e, aos poucos, irem se multiplicando em uma geração mais inclusiva.

Como são muitas escolas, em novembro teremos mais um período de continuação dessa capacitação, onde nossa participação já está confirmada.

Abaixo, registro fotográfico de uma das formações.

 

Também fomos convidados pela Secretaria de Municipal de Saúde-SESAU para divulgar o projeto em capacitações para profissionais das Unidades Básicas de Saúde: médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais,….que aconteceram no Centro de Reabilitação-CER APAE em Campo Grande nos dias 13 e 27 de setembro.

Da mesma forma, porque são muitos participantes, teremos mais duas participações, em 25 de outubro e 13 de novembro.

Abaixo registro de mais manifestações das crianças:

 

As Doenças Raras, a Saúde no Brasil e a morte de Fernanda Young: Uma Reflexão.

Fomos surpreendidos, ontem, dia 25 de agosto de 2019, pela morte prematura – aos 49 anos – da atriz e roteirista brasileira, Fernanda Young, ainda em pleno gozo de sua capacidade criativa e laboral e, aparentemente saudável.

Mais surpresos ainda ficamos com a causa da sua morte: insuficiência respiratória em decorrência de crise de asma! Isso mesmo: asma! Uma doença relativamente comum e que, aparentemente, é tratável, SE e COM os medicamentos e suportes emergenciais adequados.

E é aqui que começa nossa reflexão.

Fernanda Young morava em São Paulo. Mas sua morte se deu no atendimento de emergência de um pequeno hospital, numa cidade do interior de Minas Gerais.

Essa é uma situação que nós, comunidade das Doenças Raras, conhecemos bem: a falta de equipamentos, de medicamentos e insumos, aliado à falta de protocolos de emergência diferenciados ainda é uma constante no serviço de saúde do Brasil, PRINCIPALMENTE NO INTERIOR, onde perdemos muitos pacientes de doenças raras em atendimentos de emergência insuficientes e inadequados!

O caso da roteirista permite o paralelo por ser um indicativo da dimensão desse problema que, se põe em risco pacientes de uma doença como a asma, imagine a que estamos expostos nós, pacientes de doenças pouco conhecidas, complexas e que requerem especificidades e saberes tão diferenciados e diversos como as raras!

Cumpre esclarecer que, em momento algum esse texto tem a pretensão de afirmar que a morte da atriz se deu por outra razão que não fosse uma triste fatalidade. O que temos de informação é apenas o que foi divulgado pela mídia e pode até ser que o mencionado hospital fosse uma rara exceção de excelência no interior desse nosso imenso país.

Mas nossa experiência de 15 anos como gestora de uma Associação que atende pacientes e famílias de doenças raras e nossa vivência pessoal como mãe nos permite, no mínimo, levantar a dúvida de que pode ter sido mais um caso onde a lamentável deficiência de nosso sistema de saúde fez outra vítima.

Esse é, com certeza, um de nossos grandes desafios!